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Quais são as funções da linguagem? [Português no Enem]

Por Mariana Bortoletti   | 

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As funções da linguagem são um conteúdo recorrente na prova de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias no Exame Nacional do Ensino Médio.

Elas estão associadas à intencionalidade de uma pessoa no momento da emissão de uma mensagem.

Por isso, as funções da linguagem acabam tendo bastante a ver com a interpretação de texto.

Pensando em ajudar você a tirar uma boa nota no Enem, trouxemos informações neste artigo sobre o que são as funções da linguagem, como elas aparecem no Enem e questões para praticar.

Você vai conferir:

Quais são os elementos da comunicação?
O que são funções da linguagem?
Como as funções da linguagem aparecem no Enem
Questões do Enem para praticar
Conclusão

Ganhe uma bolsa de estudos com a sua nota do Enem!

Quais são os elementos da comunicação?

Antes de falarmos sobre as funções da linguagem, precisamos conversar sobre quais são os elementos da comunicação.

Isso porque as funções da linguagem são um conceito cunhado por Roman Jakobson a partir de seus estudos sobre transmissão de ideias e elementos da comunicação.

Jakobson foi um linguista nascido na Rússia que fez parte do movimento que desenvolveu uma teoria e um método de crítica literária conhecido como formalismo.

Aplicando este aparato teórico na linguagem, Jakobson chegou no estruturalismo linguístico, que separa a linguagem em elementos que estabelecem sua função.

Ele propôs, então, uma teoria do sistema de comunicação que, segundo ele, é um processo composto por seis elementos estruturais que cumprem determinadas funções.

  • Emissor: este elemento é quem origina a comunicação, quem emite a mensagem, é o autor, narrador e orador.
  • Receptor: do outro lado, está este elemento, que é o destinatário, o leitor e o ouvinte. É ele quem recebe a mensagem enviada pelo emissor.
  • Mensagem: é o conteúdo que está sendo enviado do emissor para o receptor, pode ser um texto, um som ou uma imagem, é o que está sendo comunicado.
  • Código: é o sistema linguístico ou comunicativo utilizado pelo emissor para que o receptor entenda a mensagem. Se baseia em um conjunto de signos em comum entre o emissor e o receptor e em regras linguísticas.
  • Contexto: representa a situação em que a mensagem está sendo enviada.
  • Canal de comunicação: este é o meio pelo qual a mensagem é enviada do emissor para o receptor, é o contato e a conexão entre eles.

No diagrama abaixo, você consegue ver como esses elementos se relacionam:

elementos-da-comunicaçao
Fonte: brasilescola.uol.com.br

Além destes seis elementos componentes da comunicação, podemos citar um agravante que não é considerado um elemento, mas que pode aparecer no processo: o ruído.

O ruído é uma mancha em um desses elementos que pode dificultar a compreensão da mensagem.

Por exemplo, pode ser que o emissor envie uma mensagem usando um código que não é familiar para o receptor.

Logo, o processo ganhou um ruído, impedindo que a mensagem seja entendida em totalidade.

O que são funções da linguagem?

Foi a partir da observação dos elementos componentes da comunicação que Jakobson chegou em sua teoria das funções da linguagem.

Em seus estudos, ele indica que existem seis funções, cada uma interligada a um dos elementos identificados acima.

  • Função Referencial: este tipo de função está ligado ao referente, à situação da mensagem, ou seja, está ligado ao elemento do contexto. Aqui, entram textos descritivos, artigos científicos e notícias jornalísticas.
  • Função Emotiva: já esta função tem foco no elemento do emissor e serve para expressar como ele está se sentindo e quais são suas opiniões. Podemos trazer como exemplo poesias subjetivas e frases de interjeição.
  • Função Conativa: por sua vez, o foco desta função é o receptor. Ela tem o objetivo de persuadi-lo a fazer alguma coisa, então costuma ser a função utilizada em mensagens publicitárias, por exemplo.
  • Função Fática: esta é uma função que foca no canal, no meio pelo qual a mensagem está sendo enviada. Seu nome vem do termo cunhado por Malinowski e significa “falar” em grego. Um exemplo para esta função são saudações utilizadas entre duas pessoas.
  • Função Metalinguística: o foco desta função está no elemento do código, ou seja, na própria linguagem utilizada para construir a mensagem. Bons exemplos são dicionários.
  • Função poética: por fim, nós temos a função poética. Ela foca bastante no elemento da mensagem. Exemplos são obras literárias e algumas obras publicitárias.

Confira no diagrama abaixo como as funções da linguagem se organização diante dos elementos da comunicação:

funcoes da linguagem

Fonte: brasilescola.uol.com.br

Como as funções da linguagem são cobradas no Enem

As funções da linguagem são um tema presente dentro da prova de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias. Isso porque elas são um assunto tratado na disciplina de Língua Portuguesa.

No Enem, as questões que trazem as funções da linguagem não são mecânicas e objetivas.

Elas dependem bastante da interpretação de texto do candidato e de sua percepção para entender qual função está sendo expressa em um enunciado.

Por isso, parte importante de estudar as funções da linguagem para o Enem está em se tornar muito bom na interpretação de texto.

Questões do Enem sobre funções da linguagem para praticar

E agora que você já sabe o que são funções da linguagem e como reconhecê-las, confira algumas questões que já caíram no Enem para você praticar.

As respostas estão na conclusão deste artigo.

E caso você queira praticar todas as questões da prova de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias que já aparecem no Enem, confira este link.

Questão 1 – Enem 2010

A biosfera, que reúne todos os ambientes onde se desenvolvem os seres vivos, se divide em unidades menores chamadas ecossistemas, que podem ser uma tem múltiplos mecanismos que regulam o número de organismos dentro dele, controlando sua reprodução, crescimento e migrações.

DUARTE, M. O guia dos curiosos. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

Predomina no texto a função da linguagem:

a) emotiva, porque o autor expressa seu sentimento em relação à ecologia.

b) fática, porque o texto testa o funcionamento do canal de comunicação.

c) poética, porque o texto chama a atenção para os recursos de linguagem.

d) conativa, porque o texto procura orientar comportamentos do leitor.

e) referencial, porque o texto trata de noções e informações conceituais.

Questão 2 – Enem 2014

O telefone tocou.
— Alô? Quem fala?
— Como? Com quem deseja falar?
— Quero falar com o sr. Samuel Cardoso.
— É ele mesmo. Quem fala, por obséquio?
— Não se lembra mais da minha voz, seu Samuel?
Faça um esforço.
— Lamento muito, minha senhora, mas não me lembro. Pode dizer-me de quem se trata?

(ANDRADE, C. D. Contos de aprendiz. Rio de Janeiro: José Olympio, 1958.)

Pela insistência em manter o contato entre o emissor e o receptor, predomina no texto a função

a) metalinguística.

b) fática.

c) referencial.

d) emotiva.

e) conativa.

Questão 3 – Enem 2012

Desabafo

Desculpem-me, mas não dá pra fazer uma cronicazinha divertida hoje. Simplesmente não dá. Não tem como disfarçar: esta é uma típica manhã de segunda-feira. A começar pela luz acesa da sala que esqueci ontem à noite. Seis recados para serem respondidos na secretária eletrônica. Recados chatos. Contas para pagar que venceram ontem. Estou nervoso. Estou zangado.

CARNEIRO, J. E. Veja, 11 set. 2002 (fragmento).

 

Nos textos em geral, é comum a manifestação simultânea de várias funções da linguagem, com o predomínio, entretanto, de uma sobre as outras. No fragmento da crônica Desabafo, a função da linguagem predominante é a emotiva ou expressiva, pois

a) o discurso do enunciador tem como foco o próprio código.

b) a atitude do enunciador se sobrepõe àquilo que está sendo dito.

c) o interlocutor é o foco do enunciador na construção da mensagem.

d) o referente é o elemento que se sobressai em detrimento dos demais.

e) o enunciador tem como objetivo principal a manutenção da comunicação.

Questão 4 – Enem 2007

O canto do guerreiro

Aqui na floresta
Dos ventos batida, Façanhas de bravos
Não geram escravos,
Que estimem a vida
Sem guerra e lidar.
— Ouvi-me, Guerreiros,
— Ouvi meu cantar.
Valente na guerra,
Quem há, como eu sou?
Quem vibra o tacape
Com mais valentia?
Quem golpes daria
Fatais, como eu dou?
— Guerreiros, ouvi-me;
— Quem há, como eu sou?

(Gonçalves Dias.)

Macunaíma (Epílogo)

Acabou-se a história e morreu a vitória.

Não havia mais ninguém lá. Dera tangolomângolo na tribo Tapanhumas e os filhos dela se acabaram de um em um. Não havia mais ninguém lá. Aqueles lugares, aqueles campos, furos puxadouros arrastadouros meios-barrancos, aqueles matos misteriosos, tudo era solidão do deserto... Um silêncio imenso dormia à beira do rio Uraricoera. Nenhum conhecido sobre a terra não sabia nem falar da tribo nem contar aqueles casos tão pançudos. Quem podia saber do Herói?

(Mário de Andrade.)

Considerando-se a linguagem desses dois textos, verifica-se que

a) a função da linguagem centrada no receptor está ausente tanto no primeiro quanto no segundo texto.

b) a linguagem utilizada no primeiro texto é coloquial, enquanto, no segundo, predomina a linguagem formal.

c) há, em cada um dos textos, a utilização de pelo menos uma palavra de origem indígena.

d) a função da linguagem, no primeiro texto, centra-se na forma de organização da linguagem e, no segundo, no relato de informações reais.

e) a função da linguagem centrada na primeira pessoa, predominante no segundo texto, está ausente no primeiro.

Questão 5 – Enem 2013

Lusofonia

rapariga: s.f., fem. de rapaz: mulher nova; moça; menina; (Brasil), meretriz.

Escrevo um poema sobre a rapariga que está sentada
no café, em frente da chávena de café, enquanto
alisa os cabelos com a mão. Mas não posso escrever este
poema sobre essa rapariga porque, no brasil, a palavra
rapariga não quer dizer o que ela diz em Portugal. Então,
terei de escrever a mulher nova do café, a jovem do café,
a menina do café, para que a reputação da pobre rapariga
que alisa os cabelos com a mão, num café de Lisboa, não
fique estragada para sempre quando este poema atravessar o
atlântico para desembarcar no rio de janeiro. E isto tudo
sem pensar em África, porque aí lá terei
de escrever sobre a moça do café, para
evitar o tom demasiado continental da rapariga, que é
uma palavra que já me está a pôr com dores
de cabeça até porque, no fundo, a única coisa que eu queria
era escrever um poema sobre a rapariga do
café. A solução, então, é mudar de café, e limitar-me a
escrever um poema sobre aquele café onde nenhuma
rapariga se pode sentar à mesa porque só servem café ao balcão.

JÚDICE, N. Matéria do Poema. Lisboa: D. Quixote, 2008.

O texto traz em relevo as funções metalinguística e poética. Seu caráter metalinguístico justifica-se pela

a) discussão da dificuldade de se fazer arte inovadora no mundo contemporâneo.

b) defesa do movimento artístico da pós-modernidade, típico do século XX.

c) abordagem de temas do cotidiano, em que a arte se volta para assuntos rotineiros.

d) tematização do fazer artístico, pela discussão do ato de construção da própria obra.

e) valorização do efeito de estranhamento causado no público, o que faz a obra ser reconhecida.

Conclusão

Esperamos que, ao chegar ao final deste artigo, as funções da linguagem e como esse assunto cai no Enem tenham ficado mais claros para você.

E agora, confira o gabarito das questões:

  • Questão 1 – Alternativa E
  • Questão 2 – Alternativa B
  • Questão 3 – Alternativa B
  • Questão 4 – Alternativa C
  • Questão 5 – Alternativa D

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